Meus olhos vislumbraram o seu rosto pela primeira vez, entretanto meu coração não saiu do prumo, ou se apavorou com a sensação de paz que invadiu cada célula do meu corpo. Seus lábios dançaram e por um único segundo soube que você também me reconheceu. Enfim, estávamos face a face. Depois de tanto tempo, tanta procura... O destino finalmente cruzou nossos caminhos.
- Olá... – minha voz soou um tanto quanto baixa, mas mesmo
assim, você me ouviu.
- É um prazer enfim conhecê-la... – disse e deu um passo em
minha direção.
Ao nosso redor, podíamos ouvir ao longe o mundo respirar e
inspirar com todo o barulho que as pessoas faziam. Porém, isso não nos
incomodava. Nossos olhos travaram um diálogo silencioso. Não foram necessárias
muitas palavras para que meus olhos enchessem de água. Logo, sua mão esquerda
tocou minha bochecha e automaticamente, fechei os olhos.
Uma teimosa lágrima escorreu, mas seu polegar se apressou em
secá-la. Eu finalmente me senti completa e quando abri os olhos para contemplar
tua face novamente, pude ouvir a voz que sempre me aconselhava a cada passo do
meu caminho. “É ele!”, a voz sussurrava docemente dentro de mim.
- Meu nome é Amanda... – arfei e coloquei minha mão sobre a
sua.
- Pode me chamar de Dante... – disse e puxou a mão do meu
rosto e sem cerimônia, entrelaçou nossos dedos.
O enfrentei com um questionamento velado, mas não foram
necessárias palavras para que eu compreendesse. Então, apertei sua mão e o
segui por entre a multidão com a certeza de que amanhã tudo seria diferente.


