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| Fonte: Uma Página Para Dois |
O sol adentrou pela janela, iluminando o quarto. Minhas pálpebras estremeceram e tão logo se elevaram, espreguicei-me na cama. Estiquei os braços e ouvi as costas estralarem com o movimento, sorri com a idéia que rondou minha mente. Rolei para a beirada da cama, pousei os pés no chão gélido e senti o choque de temperaturas, mas não os retirei dali. Respirei e espirei algumas vezes, fechei os olhos e me permite alçar vôo. Durante alguns minutos libertei-me. Porém, logo abri os olhos e encarei a janela.
Os raios de sol transpunham a cortina e acariciavam minha pele. Coloquei-me em eixo e cursei até a cortina, a abri e observei o lindo dia. Tudo estava indiferente, nada havia mudado. A saudade ainda me importunava, milhões de coisinhas traziam a tona lembranças. Brigas e mais brigas tornaram-se rotina, o que nos levou ao final trágico. Fui eu quem fechou a porta, a decisão foi minha. Por pura vaidade roubei teu tempo, entretanto deliberei que isso não estava fazendo bem para nenhum de nós e num ato de coragem lhe mostrei a saída. Afirmar que a dor não me atormentou, seria mentir. Contudo, hoje percebo que foi a melhor escolha. Sempre sentirei saudades de ti, mas já é tarde para voltarmos atrás. Não há razão para revivermos o passado.
A verdade em meus pensamentos provocou uma lágrima que foi retirada com a ponta do indicador.
- Confesso que ainda sinto tua falta... Porém, não irei voltar atrás... O que está feito, está feito... – sussurrei.
Respirei fundo e dei as costas para as lembranças e a janela.


