As gotas de chuva misturavam-se com as lágrimas que corriam pelo meu rosto, enquanto soluços brotavam em minha garganta. Tropeçava, minhas pernas não tinham forças para seguir em frente. O ar estava cada vez mais rarefeito, era difícil encher os pulmões. A dor aumentava a cada segundo, os braços envolveram meu peito na tentativa de acalmar a agonia, no entanto foi tudo em vão. Então as memórias surgiram límpidas e claras, revivi as mais dolorosas lembranças. De repente alguém segurou meu braço.
- Aonde você pensa que vai? – questionou enquanto me forçava a encará-lo.
- Não sei... Apenas preciso ir... – respondi entre soluços.
- Como assim? – inquiriu confuso.
- Eu te amo, contudo não posso ficar aqui... Estou muito confusa sobre quem sou... Preciso de um tempo pra mim... Por favor, deixe-me ir... – pedi.
- Não! Isso não faz nenhum sentido... – disse com a voz confeitada de desespero.
- Me desculpe, mas não posso ficar... – revelei.
- Mas e nós? – indagou.
- Vou guardar tudo o que compartilhamos bem aqui... – afirmei apontado para o meu coração – Agora, me deixe ir... - implorei.
- Vou sentir sua falta... – confessou.
- Eu também... – jurei - Adeus! – articulei com dificuldade.
Ele apenas sorriu, então me virei e segui pela rua banhada por chuva.


