Então minhas pálpebras se moveram rapidamente, estavam reclamando da claridade, os pulmões se encheram e se esvaziariam lentamente, o dia já dava o ar de sua graça. Rolei para o outro lado da cama, dando de frente com o espelho. Céus! Desde quando acordo tão linda?! Questionei-me por alguns momentos, mas logo percebi que era inútil tentar encontrar justificativas pra determinados golpes de sorte. Espreguicei-me algumas vezes, logo levantei e caminhei em direção ao micro system. Remexi meus CDs a procura de algo realmente bom, porém nada me pareceu agradar.
- O que está havendo comigo?! – sibilei.
Irritada, abandonei os CDs e fui tomar um banho.
A caminho do banheiro, comecei a balancear meus últimos dias, ou melhor, meu último ano. Posso afirmar que a sensação de mudança é que menos me importa atualmente. Há dias não me sinto como agora, tão jovem e tão renovada. Acho que isso talvez seja felicidade, ou talvez estar de bem consigo mesma. Sendo ou não, é maravilhoso. Nos últimos meses tomei decisões que muitos julgaram perigosas, entretanto pra mim foram necessárias. Escolhas foram feitas e o caminho que se desvenda a cada dia tem sido muito mais colorido, realmente o sorriso em meu rosto deriva disso.
Não me arrependo de ter sido a antiga pessoa que fui, acho até que ela foi de essencial importância. Tê-la sobre os ombros me fez perceber que estava caminhando para algo surreal de mim. Precisei dela para enxergar o caminho e acho que estou me dando bem. Despedi-me de várias pessoas, afinal sempre há baixas em uma guerra. Hoje posso dizer que não há mais batalhas em mim, agora existem certezas. Sou quem sou e vou fazer de tudo pra que essa nova pessoa transforme o futuro em algo realmente primoroso. Porque agora depende de mim, do meu querer e de minhas metas e objetivos. Talvez estes demorem algum tempo para serem completados, mas não me deixarei abater! Prazos são para aqueles que querem ser normais e comuns, já eu, quero fazer minha própria felicidade.
O telefone toca, furtando minha atenção. Não quis parar meu banho pra atender, não demorou e caiu na secretária eletrônica.
- Mônica... Hey, sei que estás em casa... Atende por favor! - a voz pedia.
- Não! - respondi, ainda dentro do banheiro.
- Não seja imatura... - suplicou.
- Não estou sendo... Apenas escolhi viver a realidade, não um sonho... - expliquei novamente pra secretária.
- Ok! Não quer falar comigo... Tudo bem! Mas quem vai perder é você ... - ameaçou.
- Até agora só vi ganhos, Henrique! - respondi enquanto saia do banheiro enrolada na toalha.
Entrei no quarto, ainda eram seis e quarenta da manhã. Ele continuava dormindo, tão doce e sereno. Relembrei a noite passada com um tanto de açúcar, mas sem exagerar na dose. Expirou demoradamente, percebi sua farsa no mesmo momento.
- Desde quando fingir que está dormindo é permitido? – cantarolei.
- Desde que possa lhe ver tão linda enrolada nessa toalha... – tagarelou enquanto se levantava.
- Hummm... O telefone te acordou, não foi?! – investiguei.
- Ele ainda não desistiu? – retrucou.
- Não... – respondi amuada – Gabriel, não quero que pense... – comecei, mas parei.
- Hey! Não vou pensar nada... Te conheço o suficiente pra saber que não há mais chances pra esse babaca... – falou humoradamente.
- Bobo! – sussurrei.
- Posso ser... Ainda é cedo... - concluiu sedutoramente - O que acha de voltarmos pra cama? – sugeriu.
- Hummm... Convite tentador! – articulei.
Contudo, antes que pudesse dizer algo mais, me agarrou pela cintura e me deu um beijo. Nesse instante, abandonei meus pensamentos e qualquer outra ideia que pudesse passar pela minha mente. Meu dia começou doce e é exatamente assim que ficaria.
Mais um conto escrito com a minha melhor parceira Allyne Araújo. Um dos meus favoritos e que de fato, reflete muito o momento que estou vivendo na minha vida agora. =P



Adorei o conto, eu particularmente adoro lê-los (e ás vezes escreve-los).
ResponderExcluirAproveite estas fases da vida e escolha sempre o melhor.
Beijo e ótimo final de semana
http://mylife-rapha.blogspot.com